Estilo de vida

Sharenting: Por que compartilhar fotos dos seus filhos pode ser perigoso?

O "sharenting" pode ameaçar a privacidade e segurança das crianças, exigindo que os pais ponderem antes de compartilhar fotos online.

Você já parou para pensar sobre os impactos do compartilhamento de imagens de crianças nas redes sociais? Este comportamento, conhecido como “sharenting”, une as palavras em inglês “share” (compartilhar) e “parenting” (parentalidade), e reflete uma prática crescente entre pais, especialmente aqueles em evidência pública.

Os perigos do ‘shareting’

Segundo Isabella Paranaguá, advogada e presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família seção Piauí, essa superexposição pode ameaçar diretamente a privacidade e a segurança dos menores. Paranaguá destaca que, com detalhes pessoais sendo amplamente divulgados, locais frequentados pelas crianças podem se tornar conhecidos, elevando o risco de usos indevidos dessas informações para fins criminosos.

A preocupação não é apenas com a segurança física. Paranaguá ressalta que muitas crianças podem, futuramente, sentir-se desconfortáveis ou até mesmo constrangidas pelos registros de momentos íntimos disponibilizados na internet sem o seu consentimento. Ela sugere que os pais ponderem os riscos antes de divulgar conteúdos envolvendo os filhos e busquem compreender melhor as configurações de privacidade das plataformas usadas.

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Ainda que o fenômeno traga alguns benefícios, como a manutenção de conexões familiares e a possibilidade de preservar memórias afetivas ou mesmo gerar renda, o equilíbrio entre compartilhar e proteger torna-se crucial. O Estatuto da Criança e do Adolescente pode oferecer algumas diretrizes, mas a prática requer uma análise cuidadosa e individualizada das situações.

Do ponto de vista psicanalítico, Claudia Pretti, vice-diretora de Relações Interdisciplinares do IBDFAM, alerta sobre os efeitos das mudanças trazidas pela era digital na constituição psíquica das novas gerações. Ela argumenta que, apesar da aparente ausência de limites no ambiente virtual, é essencial que os laços sociais e a liberdade sejam repensados para garantir um desenvolvimento saudável.

Pretti critica a prevalência da imagem sobre o diálogo nas redes sociais, apontando que isso pode atender mais às necessidades de aprovação dos pais do que ao bem-estar dos filhos. Ela defende que o cuidado e o afeto são fundamentais para que as crianças possam enfrentar com segurança os desafios da vida adulta.

Ao final, a especialista ressalta a importância de manter os limites claros e preservar a humanidade em um mundo cada vez mais digitalizado. A mensagem é clara: compartilhar pode conectar, mas também é necessário proteger.

Julia de Almeida é uma redatora de conteúdo criativa, com mais de 5 anos de experiência em escrita para sites. Ela tem uma habilidade única para adaptar seu estilo de escrita a diferentes públicos e temas diversos. Ela é especialista em criar artigos…